Quem tiver olhos para ver e ouvidos para ouvir, já terá notado a presença, entre nós, cada dia mais alarmante, de Terreiros, Tendas, Cabanas, Centros, Ranchos, Choupanas, Casas, Templos, Igrejas, Núcleos, Grémios, Congregações, Sociedades, Irmandades, Fraternidades, Legiões, Uniões, todos qualificados geralmente com o adjetivo "umbandista", ou "espírita" ou os dois juntos. São milhares no Rio, em São Paulo, no Rio Grande do Sul, na Baía, em Pernambuco, por toda a parte, no Brasil inteiro. Como organização, o movimento é bastante recente e decidiu-sr, pela denominação "Espiritismo de Umbanda", ou, simplesmente, "Umbanda". Seus dirigentes procuram açambarcar e coordenar os elementos do Batuque, da Macumba, do Candomblé, do Xangô, do Ca-timbó, do Toré, da Pajelança e de outros movimentos supersticiosos, remanescentes do paganismo, para dar-lhes uma fachada mais atraente e aceitável também para o civilizado e o cristão. Apresenta-se a Umbanda como um sincretismo exótico de práticas fetichistas e ritos católicos, deuses africanos e Santos nossos, doutrinas espíritas e ensinamentos cristãos. Já anunciam que "a Umbanda é a Religião do Brasil". Mas na realidade causa a confusão. Pois a absoluta maioria dos que frequentam os Terreiros continua a dizer-se "católica". Se a Umbanda fosso um movimento puramente cultural ou étnico com a exclusiva finalidade de conservar ou mesmo reintroduzir tradições, usos e costumes africanos, ameríndios ou outros quaisquer de caráter folclórico arreligioso, mas permanecendo nos limites da moral natural ou cristã, não seria necessário publicar sobre ela um livro de "orientação para os católicos", nem os problemas por ela suscitados seriam da alçada da Igreja. Pois, como católicos não somos anti-africanistas, como não somos contra nenhuma cultura sã, de qualquer nação que ela seja ou a qualquer raça ela pertença. Na realidade, porém, a Umbanda se apresenta primariamente como um movimento religioso, ela faz mesmo questão de ser religião. E os elementos culturais que oferece são impregnados de ideias nitidamente religiosas e estão em função quase exclusiva destas ideias. Era, por isso, urgente tomar posição e esclarecer os católicos a respeito da natureza deste movimento. E Frei Boaventura não improvisou seu estudo. Há dez anos que a Umbanda marcou sua alma com o selo da inquietação. O que ele viu nos Terreiros já não pode deixá-lo descansado. Viveu e sentiu a extensão da ignorância religiosa e a misteriosa força da superstição e da magia na alma popular. Daí o seu grito. Porque este livro não é outra coisa: E" o zelante brado de um pastor de almas que sente e vê o iminente perigo que se aproxima das ovelhas.
Atenção, livro com a capa e contracapa faltando as bordas devido ao tempo. As páginas internas estão em perfeito estado.
Introdução 5
I. Causas Remotas da Umbanda
1) Os Elementos de Origem Africana 9
a) O Culto Gêge-Nagô 11
b) Crenças e Práticas Bantos 14
c) A Conservação das Tradições Africanas no Brasil 24
2) Os Elementos de Origem Ameríndia 27
a) Crenças e Práticas do Ameríndio Brasileiro 27
b) A Pajelança 30
c) O Candomblé do Caboclo 32
d) O Carimbo
3) A Bruxaria Europeia 37
4) Elementos Constantes das Superstições 41
II. Aspectos Gerais da Umbanda
1) A Confusão na Umbanda 44
2) A Palavra "Umbanda" ___ 46
3) Pululam os Terreiros 49
4) Ensaios de Confederações 55
III. O Caráter. Espírita da Umbanda
1) A definição do "Espiritismo" 61
2) Necromancia e Magia 66
3) Umbanda, a Quarta Revelação 68
4) Umbanda e Quimbanda 71
IV. A Doutrina dos Umbandistas
1) As Tendências Principais 74
2) A Teodicéia do Babalaô 82
3) O Reencarnacionismo Umbandista 85
4) Arremedo de Sacramentos 88
5) Princípios de Moral 91
V. Organização e Funcionamento do Terreiro
1) Os Elementos Materiais 93
2) A Hierarquia Umbandista 100
3) As Sessões no Terreiro 103
4) Os Pontos Cantados e os Pontos Riscados 105
VI. Cerimónias e Ritos nos Terreiros
1) Os Sacrifícios ou as Obrigações 109
2) As Adivinhações 110
3) Outras Cerimónias 112
4) Caboclos e Pretos Velhos 117
VII. Politeísmo e Idolatria com Fachada Católica
1) Confusão Católico-Umbandista 120
2) Orixás de Umbanda e Santos Católicos 124
3) Razão Histórica da Confusão 127
4) Fachada Católica para Propaganda 129
VIII. A Demonolatria nos Terreiros de Umbanda
1) O Culto ao Exu ou ao Demónio 133
2) A Lista Macabra dos Exus 137
3) Como Fazem dos "Despachos" 140
IX. A Crítica do Feitiço dos Babalaôs
1) O Problema dos Feitiços e Despachos 144
2) A Natureza do Feitiço 147
3) A Eficácia do Feitiço 151
4) O Feitiço Evocativo 155
5) Exageros e Falsidades 161
6) Motivos Bíblicos contra a Magia 164
X. A Medicina Mágica dos Terreiros
1) Como Explicam as Doenças 167
2) A Terapêutica Umbandista 171
a) Os Remédios Gerais 171
b) Os Recursos Particulares ----- 178
3) O Crime do Curandeirismo 180
XI. Crimes, Imoralidades, Loucura e Exploração
1) Os Crimes nos Terreiros 187
2) A Umbanda Facilita Atos Imorais 192
3) O Perigo da Loucura 194
4) Caça ao Dinheiro ----- 198
XII. Causas e Remédios
1) Causas do Crescimento da Umbanda 205
2) Paganização do Cristianismo 209
3) O Exemplo de Haiti 212
4) Outra Sugestão Prática 215
índice 261
XIII. Normas para uma Posição Católica Perante a Umbanda 219
Apêndices:
1) As Pesquisas do IPEME 227
2) Condenação Civil do Abuso dos Nomes e Imagens dos Santos nos Terreiros de Umbanda 237
3) Vocabulário Umbandista 256