Desde que, em 8 de junho de 1974, tive a boa sorte de conhecer Luiz António Gasparetto e seu trabalho mediúnico, interessei-me sobremaneira por ele e pela sua carreira. A pessoa que me apresentou e que me levou a ele foi Elsie Dubugras que, neste livro, registra suas impressões.
Cinco anos já se passaram desde aquela memorável noite em São Paulo, e minha admiração por Luiz António tem crescido, assim como meu assombro pela qualidade de seu trabalho e pela sua disposição em produzi-lo sob as mais diversas condições imagináveis.
Luiz António não é o primeiro médium na história da pesquisa psíquica que, em estado de consciência alterada, produz trabalhos artísticos. Mas é, sem dúvida, o mais impressionante e, por diversas razões, o mais significativo.
Em primeiro lugar, apesar das oportunidades que lhe foram apresentadas, jamais procurou o estrelato. Ao contrário, sem dúvida auxiliado pelos seus pais, não só dedicou sua vida a uma causa, mas formou-se, também, em psicologia e agora investiga, de forma séria e meticulosa, a sua extraordinária f acuidade mediúnica.
Em segundo lugar, ele não se nega a fazer demonstrações mesmo quando as condições são desfavoráveis. Exemplo disso são as duas visitas que fez a Londres em 1978, quando ele foi filmado pela televisão — a BBC (British Broadcasting Corporation) — sob as mais difíceis condições que se possa imaginar: a intensa luz e o calor produzidos por uma dúzia de poderosos holofotes, num ambiente estranho, com pessoas que ele não conhecia, entre as quais se achavam algumas que não acreditavam em seu trabalho.
Mais tarde, ainda em 1978, ele demonstrou sua faculdade mediúnica aos delegados do Congresso Internacional de Espiritualismo. Apesar de encontrar-se entre pessoas simpatizantes, que tinham acabado de ouvir uma brilhante palestra proferida por Divaldo P. Franco, nada deu certo. Não foi possível escurecer a sala da forma desejada por Luiz António, pois uma das cortinas não fechava; o som não funcionou, e quando alguém descobriu uma fita ela estava gravada com música religiosa que não agradou os artistas desencarnados; por fim as baterias do gravador, embora novas, não funcionaram.
Apesar dessas dificuldades, Luiz António maravilhou a audiência com a qualidade dos trabalhos que ajudou a produzir e deu, ainda, uma extraordinária prova de sobrevivência. Desenhou o retraio de um jovem, imediatamente reconhecido por uma pessoa da audiência que o médium ficara conhecendo naquele instante.
Não seria justo dizer que todos os trabalhos de Luiz António são da mesma qualidade. Os produzidos durante a sessão na BBC não estiveram ao nível daqueles que ele consegue em geral. Foi pena, pois o programa foi visto por nove milhões de espectadores na Grã-Bretnha. Mas, mesmo assim, foi tão impressionante que o semanário Psychic News reservou a primeira página para o acontecimento.
A música é importante na produção dos trabalhos de Luiz António, e eu gostaria de vê-lo atuar acompanhado de uma orquestra ao vivo. Penso que as fontes invisíveis de seu trabalho se sentiriam estimuladas a produzir obras de um nível ainda mais elevado.
Não devemos esperar que neste livro estejam publicadas réplicas das pinturas dos grandes mestres que as assinam. Ao estudarmos a contribuição que Luiz António faz ao nosso entendimento do relacionamento que existe entre o mundo visível e o invisível, é preciso encará-lo em sua totalidade.
Não devemos nos esquecer que ele costuma trabalhar com pouca luz e a uma velocidade espantosa, poucas vezes observando o que faz. Jamais repete um trabalho. Não copia obras conhecidas. Por vezes sua mão desenha o retraio de uma pessoa conhecida, como Allan Kardec ou o dr. Bezerra de Menezes. Isto mostra que Luiz António é controlado por um hábil retratista. E isto Luiz António não é! Na verdade, como ele muitas vezes tem repetido, mal consegue desenhar quando está em seu estado normal.
Existem pessoas, especialmente certos cientistas, que não acreditam que Luiz António esteja em contato com os grandes mestres do passado. Mas, se estes céticos não aceitam a explicação dada por Luiz António — que os mestres do Além o estão usando para revelar a verdade que o homem sobrevive à morte de seu corpo físico — eles devem apresentar outra teoria, uma que explica todos os fatos. Que eu saiba, ninguém jamais apresentou uma explicação desta natureza.
São poucos os artistas com menos de trinta anos que tiveram a sorte de ver suas obras publicadas. Mas Luiz António não é um artista comum. Ele coopera como intermediário de boa vontade entre um mundo doente e materialista e outro estado de existência, cujos habitantes têm algo de muita importância a nos dizer se nos dispusermos a ouvi-los, tão somente.
Guy Lyon Playfair, Londres, 1979.
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